Links informativos

//// Visitar Lavras do Sul é se surpreender com um jeito peculiar e simples de levar a vida. Muitas vezes se diz que Lavras do Sul é uma grande família, por conta de sua hospitalidade entre os habitantes e para com os visitantes. Mesmo com seu tamanho de pequeno porte, possui atrações e eventos que atraem pessoas de diversos lugares e de todos os estilos, em todas as épocas do ano. Conhecendo Lavras do Sul, tu irás te surpreender. ///// Localizado na mesorregião do Sudoeste Rio-grandense e na microrregião da Campanha Meridional, a 320 quilômetros via rodoviária da Capital do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, o município de Lavras do Sul foi fundado em 9 de maio de 1882, emancipando-se de Caçapava do Sul. É o único município gaúcho com origem na mineração e na extração do ouro, mineral outrora abundante na região. Segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, a população era de 7.679 habitantes. Seu território se estende por 2.600 km² e, as Coordenadas Geográficas da zona urbana são 30° 48' 41” S, 53° 54' 02” O. Divide-se em dois distritos: Sede (a leste) e Ibaré (a oeste).

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA FARROUPILHA DE 2019

PROGRAMAÇÃO DA SEMANA FARROUPILHA DE 2019
Clica na imagem e confere!

quarta-feira, 16 de março de 2016

CULTURA: A Lenda do Túmulo da Cigana

10363556_1128606587169684_6611054912817334048_n
"Lá pelos idos de 1920, logo após a construção do novo cemitério, um bando de ciganos acampou nos arredores de Lavras. Esse povo errante, de vida incerta, espalhando-se por todo o mundo, vive, ainda hoje, exercendo os seus vários mistérios e vivendo de seus pequenos expedientes.
De origem indiana, há muitos e muitos anos, eles cruzam as estradas, boêmios da própria sorte. Desta feita, acampados do outro lado do arroio, no depois chamado Bairro Militar, alçaram os seus toldos e invadiram as ruas da cidade, oferecendo os seus tradicionais tachos de bronze, suas figas protetoras, brincos, anéis e colares multicores.
As ciganas mais velhas, mal-enjorcadas e com suas saias e sobressaias andrajosas, davam-se a interceptar os incautos e a saber deles se queriam ver “la suerte”. E seguiam pelas ruas a cambiarem os seus relógios e a oferecerem a sua variedade de quinquilharias. Cruzavam as nossas ruas em bandos alegres, tagarelas, batendo nas portas, xingando os moleques.
Apartadas do bando, andavam outras ciganas mais moças e mais vistosas. Iam logo atrás, com seus colares e pingentes chamativos, de um rude artesanato, enfeitando aquela estranha comitiva. Mais asseadas e risonhas, elas chamavam a atenção dos populares quando passavam pelas esquinas da cidade. Uma delas, uma ciganinha de olhos claros, bonita e singela como uma flor do campo, foi logo apontada e cobiçada pelos moços desairosos, que a seguiam, espreitando-a como uma perdiz na moita. Alvo de seus olhares indiscretos, que a deixavam enrubescida, ela sorria, sorria ingênua e vaidosa, ressaltando mais o seu encanto de cigana.

O povo de Lavras, calmo e hospitaleiro, com o passar dos dias, experimentou uma certa convivência amistosa com o singular bando de ciganos. Gostaram do lugar. Foi a resposta dada pelo chefe do bando para justificar aquela permanência que se prolongava. Era um homem já de meia-idade, alegre e muito dado a prosa.

Com a mesma espontaneidade com que eles invadiram as ruas de Lavras, o povo também foi visitar seu acampamento lá no outro lado do arroio. Nos finais de tarde, ao redor da sua toldaria, a molecada se recreava com o inusitado. Alguns puxavam assunto com eles só para ouvi-los, com a sua prosa arrevesada. Também os tais moços galanteadores, de mansinho, foram se achegando por lá, à espreita da bela ciganinha debutante e de olhos claros e risonhos. Dela, somente dela, eles compravam todo o tipo de quinquilharia e sem barganharem o preço. Ela, sempre sorridente e ingênua, parecia feliz com aquele assédio permanente por todos os lugares onde andava. Um deles, mais afoito, chamando-a para um local ermo, longe da cigana velha, aventurou-se a lhe comprar um beijo. E a ciganinha estulta, num ato próprio de sua ciganice, acedeu e lhe vendeu aquele gesto puro por um alto dinheiro. 
Certo dia, espalhou-se, rapidamente, pela cidade a notícia do casamento de dois jovens ciganos, notícia que entibiou o entusiasmo da rapaziada galante, ao saberem que a noiva era justamente aquela que vendia beijos, a linda ciganinha de olhos claros, asseada, de tranças reluzentes e saias coloridas.

Um dos moços, nesse dia, afastou-se da cidade sem motivo justificado. O poviléu, curioso, dirigiu-se para o outro lado do rio para assistir ao tão comentado casamento. Do lado de fora das barracas, muita gente, acotovelando-se, espiou o movimentado baile ali realizado. Sem participar dele, a excitada plateia deliciou-se com o que via: os ciganos dançando de chapéu, uma gaita e uma rabeca executando ritmos estranhos, farta comilança e o vinho, sem parar, distribuído em jarras coletivas.

Ali permaneceu aquela gente curiosa até altas horas, quando, afinal, o sereno frio da madrugada forçou-a a ir embora para as suas casas.

No outro dia, cedo, envolveu-se a polícia com o aflito bando de ciganos:

– A noiva estava morta!

– De morte natural – constatou a autoridade.

Tão dada e tão alegre! … Sua morte consternou a nossa pequena urbe. E os motivos reais do desenlace a fantasia popular enriqueceu.


– Foi assassinada pelo noivo! Forçada a se casar, vendida a ele, suicido-use! Ninguém ficou sabendo afinal o exato motivo daquela repentina e estranha morte. Várias outras causas, as mais fantasiosas, foram alvo da adivinhação dos habitantes de Lavras…
O chefe do bando pediu licença ao Intendente para sepultá-la no cemitério da municipalidade. Construíram ali o hoje chamado “túmulo da cigana”, prestaram-lhe suas últimas homenagens, levantaram acampamento e foram-se embora. Mas deixaram em Lavras o mistério daquela linda flor do campo, morta na primeira noite de suas bodas de mel. tempos depois, alguém versado nos códigos da honra dos ciganos objetivou que, entre eles, ao noivo é permitido matar sua consorte caso ela não seja mais virgem.
Daí restou, em última análise deste axioma evidente, a causa determinante daquela inesperada tragédia que despertou piedade e horror no meio da nossa justiça.
Os anos se passaram e esse sentimento, enraizado na alma dos humildes, numa consequente devoção, revelou-se, sublimado, entre muitos adeptos. A infeliz cigana, canonizada pelo povo, tornou-se a sua santa predileta. Quem visita o nosso cemitério, assomando ao portão, logo à direita, depara-se com o chamado “túmulo da cigana”. À sua cabeceira, vê-se uma imagem de mulher, grosseiramente esculpida na argamassa. Está de pé, com o rosto inclinado a insinuar-lhe uma auréola de santa e de mártir. Seu corpo, naturalmente, está ali, coberto por uma lápide, dormindo no chão do cemitério. É um jazido único, exposto a céu aberto, que está, permanentemente, enfeitado com flores, fitas coloridas, garrafas de vinho e toda sorte de oferendas. Muitas vezes sua imagem se mostra com um rosário circundando-lhe os ombros.
Sua estatueta, de porte médio, é um monumento singular de fé cristã, onde o povo humilde vem pedir graças e pagar promessas, razões emocionais do sofrimento. O “túmulo da cigana”, daquela que foi morta por não mais ser virgem, é hoje, em Lavras, a vereda sentimental dos que creem no poder divino ou daqueles que, um dia, também foram injustamente sacrificados.
Existem dois pedidos, os mais celebrados, aos quais a cigana jamais deixa de atender: o das mulheres que são vítimas de seus maridos alcoolistas e o dos homens privados de sua antiga virilidade. São dois pedidos caros, e estigmatizados por um ritual inculto e obsceno. Notadamente, às vezes, sobre sua lápide e ao seu redor, há um cheiro forte de cachaça e urina. A primeira, derramada por tais mulheres quando a invocar-lhe graças e premonições de enjoo à bebida. E a segunda, por tais homens, quando, de maneira explícita, suplicam-lhe forças que se desvaneceram.
A cigana dos aflitos, com o poder e a magia da crença, devolve àquelas e a estes a paz conjugal e o vigor indispensável para procriar. E, assim, com a sua missão popular de servir e proteger, ela apaga vícios e traz harmonia através dos verdadeiros sentimentos! E você o que pediria?"
FONTE DO TEXTO E DA IMAGEM: Fan Page do Grupo de Arte Nativa Herdeiros de Bravos no Facebook.


2 comentários:

  1. Simplesmente me imocionei...fiwuei aos brandos.
    Sou de uma casa de reliziao...ela quem me acompanha é uma jovem cigana de saia colorida.
    Familia de meu pai vive rm lavras

    ResponderExcluir
  2. Raimundo Tadeu Corrêa17 de março de 2016 13:08

    Texto muito bem escrito. Parabéns!

    ResponderExcluir

AddToAny

Conheça Lavras do Sul!

O município gaúcho de Lavras do Sul está localizado a 324 km a sudoeste de Porto Alegre, entre Caçapava do Sul e Bagé, através de acessos pelas rodovias BR-290, BR-392 e ERS-357. Possui 7 679 habitantes, distribuídos em uma área de 2 600 km² (IBGE, 2010). Emancipado de Caçapava em 9 de maio de 1882, foi o único município gaúcho com origem na mineração do ouro. Possui as denominações carinhosas de "Pepita do Rio Grande" e "Terra do Ouro". Na atualidade, a economia se baseia na pecuária (principalmente bovinos e ovinos), comércio, fruticultura, lãs, indústrias artesanais e turismo. Tem como atrações turísticas principais a Igreja Matriz de Santo Antônio, a Praça Licinio Cardoso e o Camping Municipal (ou Praia do Paredão). O Carnaval lavrense é um dos maiores do Rio Grande do Sul e do Interior Brasileiro. Além do Carnaval, são realizadas as mais diversas festas e eventos ao longo do ano. Tudo consequência da alegria, da tranquilidade, da hospitalidade e da receptividade do povo lavrense.
A Sede está situada na latitude de 30°48’41”S e longitude 53°54’02” O. São dois os Distritos: o primeiro, Sede, com 1.240 km² aproximadamente; e o segundo, o Ibaré, com 1.360 km² aproximadamente.
A altitude média é de 300 metros acima do nível do mar (oficialmente ela está em 277 metros), mas em vários pontos, chega a 400, 450 metros. Nas regiões do extremo oeste do município, alcança apenas 98 m nas curvas do Rio Santa Maria.
Faz divisa com sete municípios: Vila Nova do Sul e Santa Margarida do Sul (norte), São Gabriel (norte e noroeste), Dom Pedrito (oeste, sul e sudoeste), Bagé (sudeste), Caçapava do Sul (leste e nordeste) e São Sepé (nordeste e norte). Até os anos 1980, havia uma pequena divisa com Rosário do Sul, que foi extinta devido a anexações aos municípios de Dom Pedrito e São Gabriel. O perímetro aproximado de divisas de Lavras do Sul é de 380 km. A distância entre os extremos leste-oeste é de cerca de 120 km.
Lavras do Sul está situada a 2.431 km de Brasília, Capital do Brasil, e a 641 km de Montevidéu, Capital do Uruguai. Localiza-se na faixa de fronteira.

SEJAM BEM-VINDOS(AS) AO BLOG INDEPENDENTE DE LAVRAS DO SUL/RS E REGIÃO. VISITEM NOSSA CIDADE E O PAMPA GAÚCHO EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO. TRABALHAMOS DESDE 2007 E LEVAMOS QUALIDADE E CARINHO A ESTA TERRA PELAS ONDAS DA INTERNET. FIQUEM À VONTADE E SIGAM CONOSCO!

No Facebook

Postagens mais visitadas