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//// Visitar Lavras do Sul é se surpreender com um jeito peculiar e simples de levar a vida. Muitas vezes se diz que Lavras do Sul é uma grande família, por conta de sua hospitalidade entre os habitantes e para com os visitantes. Mesmo com seu tamanho de pequeno porte, possui atrações e eventos que atraem pessoas de diversos lugares e de todos os estilos, em todas as épocas do ano. Conhecendo Lavras do Sul, tu irás te surpreender. ///// Localizado na mesorregião do Sudoeste Rio-grandense e na microrregião da Campanha Meridional, a 320 quilômetros via rodoviária da Capital do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, o município de Lavras do Sul foi fundado em 9 de maio de 1882, emancipando-se de Caçapava do Sul. É o único município gaúcho com origem na mineração e na extração do ouro, mineral outrora abundante na região. Segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, a população era de 7.679 habitantes. Seu território se estende por 2.600 km² e, as Coordenadas Geográficas da zona urbana são 30° 48' 41” S, 53° 54' 02” O. Divide-se em dois distritos: Sede (a leste) e Ibaré (a oeste).

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

NOSSO MUNICÍPIO: Texto 3 - Geologia e Mineração


Segundo João Francisco Trein Leite, em seu livro Lavras do Sul, O Relevo de Tua História, publicado em 2005, "o solo de Lavras é provido em abundância, composto de formação granítica e elementos ásperos, que lhe dão aspecto de rocha dura, multicolor, evidenciando o branco semelhante ao mármore."

Há no Município a ocorrência de uma grande variedade de rochas, tanto ígneas (ou magmáticas; de origem vulcânica ou do interior da terra), quanto sedimentares (de origem de processos de decomposição de outras rochas) ou metamórficas (de origem em processos de transformação de rochas), dando-lhe a condição de uma região rica em recursos minerais. Podem ser encontradas rochas, como granitos gigantes, mármores, quartzos, basaltos, arenitos, entre outras.

A região de Lavras está situada numa das fronteiras do Escudo Sul-Rio-Grandense, na porção sudeste do RS, cujas rochas são de origem pré-cambriana, ou seja, do início da formação geológica da Terra. Muitos pesquisadores e geólogos brasileiros e estrangeiros vêm a Lavras para conferir de perto as riquezas minerais, além de realizar estudos, trabalhos de campo e análise da geologia de Lavras, que se diferencia da do resto do Estado por sua diversidade e riqueza mineral.

Embora se afirme que o ouro de Lavras se esgotou, alguns estudos e pesquisas constataram que no interior do município e abaixo do solo existem jazidas com ótimo potencial para exploração.

Lavras do Sul e Caçapava do Sul são as cidades mais importantes da Bacia do Neoproterozóico, que compreende várias localidades do centro-sul do Estado. Nesta área, há a ocorrência de depósitos de minerais oriundos de formações vulcânicas e sedimentares da formação inicial da Terra, como cobre, ouro, zinco, prata e chumbo, sendo uma das regiões de maior concentração de minerais do Estado. Embora grandes quantidades de minérios já tenham sido extraídas ou esgotadas das minas dessa região, há, no subsolo, indícios, muitas vezes concretos, de novas jazidas minerais nos municípios e povoados integrantes dessa área.

A respeito das formações rochosas encontradas, não só em Lavras do Sul, como também no entorno do Município, podemos citar os exemplos do Granito Jaguari (formado há 507 milhões de anos de atrás) e o núcleo do Complexo Granítico de Lavras do Sul (de origem de 640 milhões de anos).

A importância geológica do município é muito grande, fazendo com que museus de mineralogia de outros estados apresentem exemplares de rochas coletadas na Lavras gaúcha, como em Ouro Preto, Minas Gerais (estado que apresenta o maior número e variedade de recursos minerais do Brasil)(2). Além disso, os recursos minerais lavrenses atraem pesquisadores de diversos países, entre os quais Canadá, Reino Unido e Finlândia, para a realização de trabalhos acadêmicos, descobertas e pesquisas sobre a formação, desenvolvimento e características das rochas da região.

Mineração

O município de Lavras do Sul tem sua origem na extração do ouro. Nos séculos XVIII e XIX, exploradores europeus, canadenses e brasileiros de diversas regiões faziam a coleta das pepitas de ouro.

A região possui, embora dentro de seu subsolo e com baixa exploração, um grande potencial de recursos minerais. O ouro esgotou-se em meados dos anos 1980 e há algum tempo a mineração deixou de ser explorada. Porém, é comprovado que existem jazidas a serem exploradas em vários locais do subsolo do interior do município.

Minerais, como granito, amianto, calcário, quartzo, pirita (variedade de ouro), talco e caulim, entre outros, podem ser encontrados no município.

A mineração em Lavras deu origem, ainda, ao padroeiro da cidade, Santo Antônio. Diz a lenda que uma das pepitas adquiridas às margens do Arroio Camaquã das Lavras apresentava em sua forma uma imagem de Santo Antônio.

Outra lenda que se propagou com relação a exploração aurífera em Lavras é a de que a Igreja Matriz de Santo Antônio, no centro, foi construída em cima de uma mina de ouro.

O ouro de Lavras do Sul pode ser associado ao granito rapikiwi ou rapakiwi (estilo de rocha), de origem vulcânica e pré-cambriana (início da formação da Terra).

A área de mineração de Lavras do Sul é de aproximadamente 60 km², tendo como locais mais importantes do desenvolvimento dessa atividade o Arroio do Jaques, São José da Itaoca, Vista Alegre, Cerrito e Volta Grande. Estes locais fazem parte da história da mineração no município.

Além disso, podemos citar diversas minas ao longo dessa área de mineração, a maioria desativadas ou com suas reservas auríferas esgotadas, tais como: Boa Vista, Bloco do Butiá, Umbu, Capororoca, do Castelhano, Guampa de Ferro, Lagoa Negra, Cerro do Tigre, Saraiva, Giloca, São José, Invernada da Cachoeira, Aurora, Dourada, Goiabeira, Saint Clément, Mato Feio, Lavadeiro, Chapéu de Ferro, Toca do Euzébio, do Rodeio, Cerro Rico, Merita, Sanga do Mata-Fome, Galeria do Monstro.

Duas empresas fazem prospecção de recursos minerais no Município, na atualidade: a Amarillo Gold e a Águia Metais. Há ainda a Ibaré Mineral, que produz mármores e granitos para o mercado externo.


Distrito Aurífero de Lavras do Sul

O Distrito Aurífero de Lavras do Sul (RS) tem atraído a atenção de pesquisadores e mineradores desde o início do século XX, principalmente pelas suas ocorrências minerais (Au e Cu) (3). (4)
Há diversas associações de tipos geológicos, que vão das rochas vulcânicas até as sedimentares. Apresenta, dentre as diversas formações, a Formação Maricá, sequência de sedimentos formadas por estruturas areníticas.

Lavras no contexto do Escudo Sul-Rio-grandense

Nas terras do Escudo Uruguaio-sul-rio-grandense, entre coxilhas, cerros e restos aplainados de maciços cristalinos (AB SABER, 2003, P. 113) existe uma grande diversificação de ecossistemas: matinhas subtropicais, faixas de campos rupestres, bosques de espinilho e transições para pradarias mistas e florestas-galeria. Ocorrem, ainda, estepes rupestres sobre alongadas faixas de quartzitos (...). (1)
A região geomorfológica na qual Lavras se insere (ou seja, o Planalto sul-rio-grandense, ou Escudo Sul-Rio-grandense) apresenta uma litologia composta por rochas como gnaisses, anfibolitos, migmatitos, dolomitos, mármores, granitos filitos e quartzitos, e pelos solos, denominados neossolos litólicos, neossolos câmbicos, argissolos vermelhos e afloramentos rochosos. O Escudo Sul-Rio-Grandense é formado por terrenos antigos chamados de Pré-Cambrianos (compreende a parte mais antiga e de maior duração da Terra, que corresponde a cerca de noventa milhões de anos; sua formação é de solos cristalinos, rochas pré-aquáticas). (FREITAS, 1980).

Uma considerável parte do município (porção centro-oriental) apresenta elevações acima de 300 metros, podendo chegar a 460 metros em algumas pequenas serras, como a Serra da Mantiqueira (onde se localiza o Cerro da Mantiqueira, com 399 metros de altitude), a Serra do Batovi, a Coxilha do Tabuleiro e o Rincão do Inferno. A cidade está situada entre três pequenas serras: Santa Tecla (ao norte de Bagé), Batovi (ao sul de São Gabriel) e de Caçapava (a leste).

Notas e Referências

(1) AB SABER, Aziz. Os Domínios de Natureza no Brasil – Potencialidades Paisagísticas. Cotia: Ateliê Editorial, 2003, p. 113.
(2) Há uma cidade no sul de Minas Gerais com o nome de Lavras (que também situa-se em zona de mineração); neste caso, o autor optou por se referir a Lavras do Sul como a Lavras gaúcha.
(3) Símbolos químicos do ouro e cobre, respectivamente.
(4) CARRARO, C.C.; MEXIAS, A.S; ROLIM, S. B. A. Avaliação de produtos de sensoriamento remoto (LANDSAT-5, RADARSAT S3 E GEMS) e geofísica (aeromagnetometria) no estudo do condicionamento tectônico e estrutural das mineralizações do distrito aurífero de Lavras do Sul. Porto Alegre: UFRGS, s.d.

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O município gaúcho de Lavras do Sul está localizado a 324 km a sudoeste de Porto Alegre, entre Caçapava do Sul e Bagé, através de acessos pelas rodovias BR-290, BR-392 e ERS-357. Possui 7 679 habitantes, distribuídos em uma área de 2 600 km² (IBGE, 2010). Emancipado de Caçapava em 9 de maio de 1882, foi o único município gaúcho com origem na mineração do ouro. Possui as denominações carinhosas de "Pepita do Rio Grande" e "Terra do Ouro". Na atualidade, a economia se baseia na pecuária (principalmente bovinos e ovinos), comércio, fruticultura, lãs, indústrias artesanais e turismo. Tem como atrações turísticas principais a Igreja Matriz de Santo Antônio, a Praça Licinio Cardoso e o Camping Municipal (ou Praia do Paredão). O Carnaval lavrense é um dos maiores do Rio Grande do Sul e do Interior Brasileiro. Além do Carnaval, são realizadas as mais diversas festas e eventos ao longo do ano. Tudo consequência da alegria, da tranquilidade, da hospitalidade e da receptividade do povo lavrense.
A Sede está situada na latitude de 30°48’41”S e longitude 53°54’02” O. São dois os Distritos: o primeiro, Sede, com 1.240 km² aproximadamente; e o segundo, o Ibaré, com 1.360 km² aproximadamente.
A altitude média é de 300 metros acima do nível do mar (oficialmente ela está em 277 metros), mas em vários pontos, chega a 400, 450 metros. Nas regiões do extremo oeste do município, alcança apenas 98 m nas curvas do Rio Santa Maria.
Faz divisa com sete municípios: Vila Nova do Sul e Santa Margarida do Sul (norte), São Gabriel (norte e noroeste), Dom Pedrito (oeste, sul e sudoeste), Bagé (sudeste), Caçapava do Sul (leste e nordeste) e São Sepé (nordeste e norte). Até os anos 1980, havia uma pequena divisa com Rosário do Sul, que foi extinta devido a anexações aos municípios de Dom Pedrito e São Gabriel. O perímetro aproximado de divisas de Lavras do Sul é de 380 km. A distância entre os extremos leste-oeste é de cerca de 120 km.
Lavras do Sul está situada a 2.431 km de Brasília, Capital do Brasil, e a 641 km de Montevidéu, Capital do Uruguai. Localiza-se na faixa de fronteira.

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