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//// Visitar Lavras do Sul é se surpreender com um jeito peculiar e simples de levar a vida. Muitas vezes se diz que Lavras do Sul é uma grande família, por conta de sua hospitalidade entre os habitantes e para com os visitantes. Mesmo com seu tamanho de pequeno porte, possui atrações e eventos que atraem pessoas de diversos lugares e de todos os estilos, em todas as épocas do ano. Conhecendo Lavras do Sul, tu irás te surpreender. ///// Localizado na mesorregião do Sudoeste Rio-grandense e na microrregião da Campanha Meridional, a 320 quilômetros via rodoviária da Capital do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, o município de Lavras do Sul foi fundado em 9 de maio de 1882, emancipando-se de Caçapava do Sul. É o único município gaúcho com origem na mineração e na extração do ouro, mineral outrora abundante na região. Segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, a população era de 7.679 habitantes. Seu território se estende por 2.600 km² e, as Coordenadas Geográficas da zona urbana são 30° 48' 41” S, 53° 54' 02” O. Divide-se em dois distritos: Sede (a leste) e Ibaré (a oeste).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

NOSSO MUNICÍPIO: Aspectos geológicos de Lavras do Sul



Rincão do Inferno, impressionante formação geológica lavrense

FONTE DA IMAGEM: Mercado Ético, acessado em 27 fev. 2013

INTRODUÇÃO

O objeto de estudo deste trabalho é a descrição dos aspectos gerais e, sobretudo, da geologia do município de Lavras do Sul, localizada na porção centro-sudoeste do Rio Grande do Sul, na mesorregião da Fronteira Sul, a 321 km da capital, Porto Alegre. Sua área é de 2 600 km² e a população aproximada, no ano de 2012, é de 7 615 habitantes.

Lavras do Sul teve origem na mineração, já que possuíra importantes jazidas de ouro, que atraíram mineradores, espanhóis, índios e bandeirantes paulistas. O povoamento efetivo começou, provavelmente, em 1825. A origem do nome do município é baseada na exploração do ouro. Teve sua emancipação efetivada em 09 de maio de 1882, desmembrando-se de seu município de origem, Caçapava do Sul. Tornou-se cidade em 1938. Atualmente, a pecuária é a principal atividade econômica, já que as reservas de ouro se esgotaram, embora existam depósitos de ouro de aluvião nos rios da região e em minas subterrâneas no interior do município, sendo, assim, jazidas ainda não exploradas.

ASPECTOS GERAIS

O município de Lavras localiza-se em uma zona de divisa de dois tipos de paisagens naturais gaúchas: a Campanha, área de campos com leves ondulações, e a Serra do Sudeste, onde há seqüências de morros arredondados, com rios cortando-os e vegetação caracterizada por campos com capões de mato; a primeira está localizada na porção oeste do município; a segunda, na porção leste, ocupa a maior parte do município, sendo assim o chamado “planalto de Lavras”. A altitude da sede municipal é de 277 metros, mas algumas áreas do município podem chegar a mais de 400 metros.

Lavras do Sul é banhada pelo arroio Camaquã das Lavras que, com a junção de outros arroios, forma o rio Camaquã, que corre pela porção centro-sul do Estado, desembocando na Laguna dos Patos e possuindo mais de 300 km de extensão. Esse arroio é muito importante para o município, pois além de apresentar diversos tipos de minerais e rochas, também contribui para o turismo – parte do arroio serve como balneário no verão, denominado Praia do Paredão, na sede municipal. Este balneário é assim denominado pelo fato de o arroio banhar um cerro (morro) em forma de uma parede de um tamanho razoável, sendo localmente chamado de Paredão. Neste balneário, como em outros espalhados pelo município, a maioria deles afastados da sede municipal, há ocorrência de diversas rochas e minerais que podem ser encontrados na areia.

O clima da região é frio e úmido de maio a setembro, com verões não muito rigorosos.

GEOLOGIA

Lavras do Sul é localizada na região denominada Planalto Uruguaio Sul-Rio-Grandense, Escudo Sul-Rio-Grandense ou Serra do Sudeste. Este baixo planalto tem como pontos extremos as regiões de Lavras e Dom Pedrito (Oeste), Herval do Sul, Jaguarão (Sul), Caçapava do Sul, Encruzilhada, São Jerônimo (sul do município) (norte) e Guaíba (leste). Há, ainda, uma ramificação desse planalto nas zonas leste e sul de Porto Alegre.  A região possui cristas e coxilhas de rochas graníticas, de idade pré-cambriana, de cerca de 600 milhões de anos, apresentando campos e matas. Essa região originou-se de rochas fundidas sob condições intensas de pressão e temperatura no interior da Terra, emergindo e formando altas montanhas que, desgastadas pela erosão de milhões de anos, formaram esse baixo planalto de cumes arredondados.  
Parte do município pode ser considerada como o “Planalto de Lavras”. Segundo TEIXEIRA (1992): “O planalto de Lavras pertence a uma formação granítica, composta de elementos grosseiros, que lhe dão o aspecto porfiróide”.

TEIXEIRA diz ainda que “essa formação deve ser colocada ao mesmo horizonte geológico dos gnaisses porfiróides granitíferos da Serra do Mar” e que “À pequena distância do rio Camaquã, essas rochas tornam-se mais compactas, tomam uma estrutura mais porfiróide e, na margem esquerda, encontram-se porfírios de corpo mais silicoso”.

Os principais minerais estão localizados nessa formação. Há a ocorrência de camadas de quartzo, quartzito aurífero, mica de granito porfiróide e rochas sienite. A aparição deste mineral é ligada a uma série de deslocamentos e de erupções de rochas vulcânicas contemporâneas do enriquecimento dos veeiros auríferos e da aparição dos minerais de cobre e de chumbo (TEIXEIRA, 1992).

A região localiza-se simultaneamente no Planalto Sul-Rio-Grandense e na chamada Bacia do Camaquã, de origem neo-proterozóica, onde havia a presença de elementos metálicos (Cu [cobre], Au [ouro], Pb [chumbo], Zn [zinco], Ag [prata]), surgidos em um ambiente típico de uma formação plutono-vulcano-sedimentar. O principal centro extrativista da região, as Minas do Camaquã, no município vizinho de Caçapava do Sul, foi fechado em 1996, por esgotamento das reservas minerais. No entanto, há indícios de que outras jazidas desses minerais existam na região, não só em Caçapava, como em Lavras e em municípios vizinhos.

Há grandes quantidades de rochas metamórficas e ígneas, além de algumas rochas sedimentares. O granito é uma das principais ocorrências minerais da região.

As rochas ígneas típicas da região surgiram através de um evento vulcânico ocorrido há cerca de 600 milhões de anos (Vulcanismo Hilário). Esse vulcanismo é o resultado da formação do Supercontinente Gondwana. A formação das rochas vulcânicas, aliada às bacias sedimentares desenvolvidas no final da colisão continental e às condições de pressão e temperatura, preservou as raízes dos arcos magmáticos e isolaram essas rochas. Esse vulcanismo é constituído por lavas andesíticas e hipabissais, entre outras.
Há suspeitas de que possam ter ocorrido glaciações na região. Isso pode ter acontecido porque, segundo estudos de pesquisadores finlandeses, em março de 1991, exemplos de rochas por eles encontrados, como o tilito, rocha sedimentar depositada por geleiras. Entretanto, não é uma hipótese segura por dois motivos: por ninguém ter conhecimento de influência glacial no Rio Grande do Sul e pela elevação de piroclastos, fluxos de lama e impactos de meteoritos, que podem gerar depósitos similares.

Os arroios da porção leste do município apresentam vãos, em sua maior parte estreitos, com grande presença de rochas ao longo dos leitos, sobretudo graníticas e sedimentares. Boa parte dos leitos dos arroios possui pequenas praias (oriundas do transporte de sedimentos), formando uma areia grossa e consistente, com presença de diversas rochas espalhadas próximas às áreas dessas praias.

Quanto à questão ambiental, Quase toda a área do município está intacta no tocante à preservação do ambiente, havendo apenas algumas alterações na sede municipal. As antigas jazidas minerais atualmente estão desativadas, e em muitas há formações de lagos e terrenos com rochas de todos os tipos. Como ocorreu esgotamento das jazidas minerais, sobretudo auríferas, muitas marcas da exploração podem ser observadas em alguns pontos do município, através de minas abandonadas e grandes clarões, com abundância de rochas apresentadas esporadicamente. Podemos citar, entre as áreas mais preservadas e inóspitas, o cânion do Rincão do Inferno, interessante formação rochosa próxima ao rio Camaquã, com cerca de 200 metros de profundidade.

Os recursos minerais da região são fundamentais para diversos fins. O calcário (cujas jazidas podem ser exploradas em breve) é utilizado como fertilizante para agricultura; o ouro, atualmente já esgotado, é utilizado em medicina, fabricação de ligas para jóias, moedas e contatos elétricos e coroas odontológicas; outros minerais encontrados na região são a pirita, o arenito, a calcita e o granito, importantes, dentre outras finalidades, para obras e acessórios de construções.

As características das rochas encontradas na região são referentes à sua formação, ou seja: as rochas graníticas possuem textura fanerítica, com grãos de minerais visíveis a olho nu, de origem plutônica e composição félsica; as rochas sedimentares, como o arenito e o folhelho, têm origem na formação de rochas pré-existentes e na deposição de sedimentos; as rochas metamórficas, originadas de processos de transformação de rochas através de condições de temperatura, pressão, fluído e tempo, como os gnaisses porfiróides, também encontrados na região, possuem misturas de feldspatos e quartzos. Além dessas rochas aqui citadas, existem inúmeras outras que compõem a vasta riqueza mineral da região, como a allanita, o sienite, a wollastonita, o talco entre outros, além de inúmeros silicatos.

CONCLUSÃO

A região de Lavras pode ser classificada como um importante encontro de formações geológicas e ocorrência de diversos minerais de todos os tipos. Devido à sua formação (período Pré-Cambriano), é uma região de formação antiga, de uma beleza que atrai pesquisadores de várias nações, face à sua riqueza geológica. 

Mesmo com a evolução tecnológica e dos conhecimentos geológicos e naturais da região, existe ainda muito que se descobrir sobre a região e o município de Lavras do Sul, que encanta a todos os visitantes, não só por sua beleza geológica, mas também pela beleza física de suas paisagens.

GLOSSÁRIO

ANDESÍTICAS: relativas ao andesito, rocha extrusiva de coloração cinzento-escura.

ARROIOS: denominação regional do Rio Grande do Sul aos rios de pequeno porte.

AURÍFEROS: relativos ao ouro.

CAPÕES: formações arbóreas de pequena extensão, volume e composição variados, e de aspecto diverso das vegetações que a circundam.

COXILHAS: extensões de terra com pequenas e grandes elevações, constituindo elevações, na qual se desenvolvem atividades pastoris. São formações de relevo típicas do Rio Grande do Sul.

CRISTAS: partes mais altas ou salientes dos terrenos.

GNAISSES: rochas metamórficas feldspáticas, nitidamente cristalinas, constituídas por vários minerais, entre eles mica, quartzo e anfibólio.

GRANITO: rocha ígnea ou eruptiva, composta essencialmente de quartzo, feldspato alcalino e micas, com textura geralmente granular; possui densidade média de 2,55 e 2,75.

HIPABISSAIS: consolidadas a grandes profundidades.

JAZIDA: disposição natural das camadas de matérias, tanto minerais como não minerais de certo valor econômico, no seio ou à superfície de um determinado local.

MICA: designação comum aos membros de um grupo de silicatos, dotados de excelente clivagem, comuns em muitas rochas ígneas e metamórficas, com usos em isolantes e alguns objetos ornamentais.

NEOPROTEROZÓICA: relativa a uma subdivisão de era geológica mais superior da Era Proterozóica, incluindo rochas formadas entre 1 bilhão e 500 milhões de anos. 

PIROCLASTOS: materiais de diversos tamanhos, ejetados individualmente por uma erupção vulcânica.

PLANALTO SUL-RIO-GRANDENSE: baixo planalto granítico e cristalino, localizado na porção centro-sul do Rio Grande do Sul, de origem pré-cambriana, apresentando relevo com ondulações e alguns morros, com altitudes máximas de até 600m.

PORFIRÓIDE: tipo de textura de rocha metamórfica.

PRÉ-CAMBRIANA: relativas às rochas formadas antes da Era Paleozóica.

QUARTZO: é o mineral mais importante formador de rochas e mais comum, presente em abundância nas rochas ígneas, sedimentares e metamórficas; utilizado em objetos ornamentais e na indústria eletrônica.

QUARTZITO: rocha metamórfica que consiste especialmente em grãos de quartzo, formada por recristalização de arenito.

SIENITE: ou sienito, grupo de rochas plutônicas, constituídas por feldspatos alcalinos, minerais máficos e quartzo, presente apenas como acessório.

SILICOSO: que contém sílica (SiO2), composto oxigenado, do silício, encontrado em areias, minerais e silicatos.

TILITITO: tipo de rocha sedimentar endurecida ou consolidada.

VEEIROS: depósitos minerais tabulados ou concheados, de origem hidrotermal, que ocorre em forma de enchimento de fratura, em uma rocha; o mesmo que veios. 

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Conheça Lavras do Sul!

O município gaúcho de Lavras do Sul está localizado a 324 km a sudoeste de Porto Alegre, entre Caçapava do Sul e Bagé, através de acessos pelas rodovias BR-290, BR-392 e ERS-357. Possui 7 679 habitantes, distribuídos em uma área de 2 600 km² (IBGE, 2010). Emancipado de Caçapava em 9 de maio de 1882, foi o único município gaúcho com origem na mineração do ouro. Possui as denominações carinhosas de "Pepita do Rio Grande" e "Terra do Ouro". Na atualidade, a economia se baseia na pecuária (principalmente bovinos e ovinos), comércio, fruticultura, lãs, indústrias artesanais e turismo. Tem como atrações turísticas principais a Igreja Matriz de Santo Antônio, a Praça Licinio Cardoso e o Camping Municipal (ou Praia do Paredão). O Carnaval lavrense é um dos maiores do Rio Grande do Sul e do Interior Brasileiro. Além do Carnaval, são realizadas as mais diversas festas e eventos ao longo do ano. Tudo consequência da alegria, da tranquilidade, da hospitalidade e da receptividade do povo lavrense.
A Sede está situada na latitude de 30°48’41”S e longitude 53°54’02” O. São dois os Distritos: o primeiro, Sede, com 1.240 km² aproximadamente; e o segundo, o Ibaré, com 1.360 km² aproximadamente.
A altitude média é de 300 metros acima do nível do mar (oficialmente ela está em 277 metros), mas em vários pontos, chega a 400, 450 metros. Nas regiões do extremo oeste do município, alcança apenas 98 m nas curvas do Rio Santa Maria.
Faz divisa com sete municípios: Vila Nova do Sul e Santa Margarida do Sul (norte), São Gabriel (norte e noroeste), Dom Pedrito (oeste, sul e sudoeste), Bagé (sudeste), Caçapava do Sul (leste e nordeste) e São Sepé (nordeste e norte). Até os anos 1980, havia uma pequena divisa com Rosário do Sul, que foi extinta devido a anexações aos municípios de Dom Pedrito e São Gabriel. O perímetro aproximado de divisas de Lavras do Sul é de 380 km. A distância entre os extremos leste-oeste é de cerca de 120 km.
Lavras do Sul está situada a 2.431 km de Brasília, Capital do Brasil, e a 641 km de Montevidéu, Capital do Uruguai. Localiza-se na faixa de fronteira.

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