Sejam bem-vindos ao site independente em homenagem a Lavras do Sul, a eterna "Terra do Ouro"! Visite nosso Município em qualquer época do ano. ///// Lavras do Sul é um município brasileiro localizado no Rio Grande do Sul e pertencente à mesorregião do Sudoeste Rio-grandense e à microrregião da Campanha Meridional. Conta com as águas da Bacia do Rio Camaquã e do Rio Santa Maria. Faz divisa territorial com os municípios de Caçapava do Sul (L, NE), Bagé (SE), Dom Pedrito (O, S, SO), São Gabriel (N, NO) e Vila Nova do Sul, Santa Margarida do Sul e São Sepé (N). Localiza-se no Escudo Sul-Rio-grandense, apresentando um solo rochoso, de origem pré-cambriana, e rochas sedimentares. Apresenta terras que alcançam os 450 metros acima do nível do oceano. Apresenta vegetação variada ao longo de seu território, desde campos mistos com arbustos, até campos limpos e planícies onde se praticam a cultura do arroz, já na porção oeste do município, na divisa com Dom Pedrito. Lavras do Sul possui 7.679 habitantes, segundo estimativas do IBGE, em 2010 e está distante 320 km da Capital gaúcha, Porto Alegre. As principais atividades econômicas do município são a mineração (que está praticamente desativada, embora hajam jazidas de calcário e fosfato em pesquisa), a agropecuárjavascript:void(0)ia, a agroindústria, o artesanato, o comércio e o turismo. Possui um dos mais tradicionais carnavais do interior gaúcho, além de realizar diversos eventos o ano todo.

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domingo, 5 de março de 2017

AMBIENTE: Características básicas da Bacia do Rio Camaquã

Região do Rio Camaquã – FOTO: Comitê Camaquã

TEXTO E PESQUISA: Murilo de Carvalho Góes.

1 INTRODUÇÃO

A Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã localiza-se no centro-sul do Estado do Rio Grande do Sul, dentro do sistema hidrográfico do Sudeste (ou Atlântico Sul) e dentro do Escudo Sul-Rio-grandense.
É um dos principais rios da Metade Sul gaúcha, com extensão média de 430 km. A superfície da bacia é de 21.517,58 km² (7,6% do território gaúcho).
Os rios que dão origem ao Camaquã localizam-se na região de Lavras do Sul, Bagé e Dom Pedrito. A nascente oficial está localizada na tríplice divisa dos municípios de Lavras, Bagé e Caçapava do Sul, a partir da confluência do Arroio do Hilário com o Arroio Camaquã Chico. Sua jusante (foz, local onde desemboca) é na Laguna dos Patos, entre os municípios de Camaquã e São Lourenço do Sul.
A origem do nome Camaquã vem do tupi-guarani, e significa "rio da serra com forma de seios".

2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

O Rio Camaquã situa-se numa zona de falha geológica, caracterizada por um relevo muito antigo, bastante desgastado pela erosão. Sua estrutura rochosa é sedimentar, fazendo com que haja o transporte de materiais, como a areia, formando pequenas praias fluviais. Seu sistema de drenagem (sistema de canais que banham vertentes e terrenos) é dendítico (em forma de raiz). No curso baixo, o traçado é mais retilíneo.A bacia apresenta diversos morros de origem pré-cambriana e cristalina (algumas das formações rochosas mais antigas da Terra), além de campos sujos (com grande quantidade de arbustos e alguns pontos de matas), tipos variados de vegetação (como gramíneas e cactus) e algumas depressões (os chamados passos), esculpidas pelos cursos d'água e com altitudes inferiores a 200 metros.
Por situar-se em uma antiga região de movimentação do interior da Terra (falha tectônica), que acaba por movimentar os materiais e substâncias que dão origem às rochas, a Bacia do Camaquã é caracterizada por uma vasta riqueza mineral.
No extremo sul do Município de São Jerônimo, localiza-se o ponto mais elevado da Bacia do Camaquã, o Cerro Quitéria (599 m acima do nível do mar). As médias de altitude estão entre 180 e 400 metros.
Os verões da Bacia do Camaquã são quentes (porém um pouco mais amenos do que nas regiões vizinhas) e os invernos são bastantes rigorosos, com chuvas distribuídas regularmente (salvo algumas estiagens [secas] que ocorrem eventualmente). As temperaturas médias variam entre 8°C no inverno a 28°C no verão.
Na região da bacia sempre há uma variação repentina de condições meteorológicas e de temperatura, por causa de sua localização na área do limite entre as zonas de encontro e choque das massas de ar frio e quente, alternando dias de calor e frio, semanalmente.

3 POPULAÇÃO E MUNICÍPIOS

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do ano de 2008, a população residente na região da bacia é de cerca de 255 mil habitantes, sendo que 47,3% vivem na zona urbana e 52,7% moram em áreas rurais.
A Bacia do Camaquã banha o território de 26 municípios, a saber: Amaral Ferrador, Arambaré, Arroio do Padre, Bagé, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Caçapava do Sul, Camaquã, Canguçu, Cerro Grande do Sul, Chuvisca, Cristal, Dom Feliciano, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul, Hulha Negra, Lavras do Sul, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Santana da Boa Vista, São Jerônimo, São Lourenço do Sul, Sentinela do Sul, Tapes e Turuçu.O município com terras banhadas pelas águas da Bacia e que possui maior população é Pelotas, com 339 934 habitantes. Bagé é o segundo maior, com 112 550 habitantes. Em terceiro lugar, está Camaquã, com 60 563 habitante, e logo em seguida, o município de Canguçu, com 53 547 habitantes. Sentinela do Sul (5 290 hab.), Chuvisca (4 874 hab.), Turuçu (3 829 hab.), Arambaré (3 825 hab.) e Arroio do Padre (2 734 hab.) são os menos populosos, segundo os dados de 2008 do IBGE.

4 MAIS ALGUNS DADOS SOBRE O RIO CAMAQUÃ E SUA BACIA

A vazão [1] média do Rio Camaquã, nas proximidades da foz, é de 304 m³/s. A área de drenagem [2] do Camaquã é de 15.543 km², o volume médio anual de chuvas da Bacia é de 1 340 mm e seus padrões de drenagem são subparalelos e dendríticos; o Rio Camaquã e seus afluentes são exorreicos [3].
Alguns dos principais arroios [4] e afluentes: Camaquã Chico, das Lavras, do Jacques, do Hilário, América, Maricá, Sutil, Duro, João Dias, São Lourenço, da Sapata, Evaristo, dos Ladrões, Maria Santa, do Abrânio, Pantanoso, Boici, Torrinhas, da Mantiqueira.

5 DESCRIÇÃO DOS TRECHOS DO RIO CAMAQUÃ

Curso superior. Na confluência dos arroios do Hilário e Camaquã Chico, entre Caçapava do Sul, Bagé e Lavras do Sul, está a nascente do Rio Camaquã (Coordenadas Geográficas: 30°50'31"S - 53°40'03"O); os arroios formadores do Camaquã nascem a mais de 400 metros de altitude; a nascente oficial situa-se a cerca de 160 metros acima do nível do mar. Todos os arroios que dão origem ao rio (além dos afluentes do curso médio) nascem cortando vales de morros, de origem granítica e de idade estimadas entre 540 e 610 milhões de anos.
A vegetação apresenta uma síntese de diversos tipos de flora, como arbustos, campos sujos, mata nativa (alguns resquícios de matas da Bacia do Paraná) e vegetação de climas secos, como o cactus.
A altitude da região varia entre 460 e 150 metros de altitude, com a presença de diversas formações rochosas.
Por muitas décadas, desenvolveu-se na região a mineração do cobre e do calcário (em Caçapava do Sul - ainda se produz bastante quantidade de calcário no Município, nos dias atuais) e do ouro (em Lavras do Sul). Hoje, muitas jazidas já estão esgotadas. As Minas do Camaquã (povoado localizado a 55 km do centro de Caçapava do Sul) chegou a abrigar mais de 3 000 habitantes, por possuir, ao longo do Século XX, grandes quantidades de minérios de cobre que eram explorados para fins econômicos. Atualmente, as jazidas estão esgotadas e restam cerca de 200 moradores no local.Os três tipos fundamentais de rochas [5] são encontrados na região. Há um grande depósito de sedimentos [6] nas margens de diversos cursos d'água, formando bancos de areia e praias fluvias com faixa arenosa de extensão larga e considerável.
A região formadora do Rio Camaquã apresenta potencial turístico em locais como a Praia do Paredão (Camping Municipal Zeferino Teixeira), em Lavras do Sul, que possui infraestrutura básica para o turismo no veraneio.
Curso médio. Separa e marca divisas entre vários municípios da Bacia, como Santa da Boa Vista e Encruzilhada do Sul (limites sul), Pinheiro Machado, Piratini e Canguçu (limites norte).
Possui o transporte de sedimentos mais intenso, assim como o risco de poluição das águas, que se estende para a região mais baixa do rio (curso inferior).Assim como no curso superior, o Rio Camaquã corta diversos vales e conjuntos de cerros, além de apresentar corredeiras e trechos com rochas graníticas dentro de suas águas.
Curso inferior (foto ao lado). Caracterizado por um grande impacto ambiental ocasionado pelas lavouras de arroz, apresenta meandros [7] e grandes depósitos sedimentares, que originaram um delta [8] em sua foz, na Laguna dos Patos (em Camaquã/São Lourenço do Sul,) com altitudes que não ultrapassam 15 metros. Percorre os municípios de Amaral Ferrador, Cristal, Camaquã e São Lourenço do Sul.

6 BIODIVERSIDADE

6.1 FAUNA

Citaremos a seguir, diversos exemplos de espécies animais encontradas na região:
Mamíferos: tamanduá-mirim, mulita (tatu), veado, lontra, zorrilho, puma, gato-do-mato, preá, ratão-do-banhado, capivara, lebre-europeia, graxaim, morcego, camundongo, ratazana, ouriço, quati, bugio.
Aves e pássaros: canário, pica-pau, caturrita, papagaio-charão, caracará, urubu, coruja, sabiá, maçanico, cardeal, joão-de-barro, quero-quero, bem-te-vi, ema, perdiz, perdigão, biguá, garça, anu, bacurau, seriema, jaçanã, gavião, chimango, saracura, tucano, martim-pescador, pintassilgo, pardal, gralha-azul, tico-tico, beija-flor, andorinha
Peixes: traíra, lambari, viola, tamboatá, cará, dourado, carpa, tilápia, jundiá, grumatá, piava, pintado.Anfíbios, répteis, artrópodes e insetos: sapo-cururu, rã-cachorro, perereca, lagarto, lagartixa, cigarra, escorpião e diversas espécies de cobras, aranhas, borboletas e insetos.
Todos os tipos de animais domésticos e utilizados para a pecuária são encontrados nas fazendas e nas cidades da Bacia do Camaquã.

6.2 FLORA

A flora é variada, apresentando diversas espécies de figueiras, cinamomos, salgueiros, taquaruçus, samambaias, cactus, gerivás, bananeiras, macelas, hortênsias, capões de mato, araucárias e diversas espécies que, juntas, representam grande biodiversidade e uma mescla entre as espécies nativas e as de outros ecossistemas brasileiros.

7 MEIO AMBIENTE

7.1 PROBLEMAS E AMEAÇAS AMBIENTAIS

Devemos ter atenção e consciência para refletirmos e tomarmos soluções imediatas em relação aos principais problemas e ameaças ao meio ambiente da Bacia do Rio Camaquã, como por exemplo: Problemas de drenagem; Índices elevados de desmatamento das matas ciliares [9]; Elevado consumo de água para a irrigação do arroz, nos meses de verão; Queimadas de campos com o objetivo de renovar o pasto, porém com prejuízos para a vegetação e poluição; Águas contaminadas por agrotóxicos, usados nas plantações de soja, batata e fumo, afetando a vegetação nativa; Contaminação das águas por meio dos resíduos químicos resultantes da mineração; As indústrias locais despejam 37,5 toneladas de resíduos químicos por mês, além de 9,4 toneladas de detritos orgânicos; O Arroio São Lourenço apresenta contaminação por coliformes fecais [10] de 16.000/100ml [11], o quádruplo [12] do limite tolerável para os serviços de abastecimento de água à população; O Camaquã recebe 112,8 toneladas mensais de matéria orgânica, o que equivale ao peso de 28 elefantes;

7.2 PATRIMÔNIO

As matas do Rio Camaquã e de seus afluentes constituem-se num importante ecossistema, com rica flora (diversos tipos de vegetação mesclados, como campos, savanas, matas, florestas, banhados e pântanos) e fauna (presença de animais em extinção) que merece ser preservado.
A Bacia é considerada patrimônio estadual, devido à sua biodiversidade. Um exemplo são as 74 espécies de peixes que podem ser encontradas nos cursos d'água da bacia.

7.4 PRINCIPAIS CONFLITOS PELO USO DA ÁGUA NO RIO CAMAQUÃ

Segundo reportagem do Jornal Zero Hora (29.05.2007, pág. 30-31), os conflitos pela água mais preocupantes da bacia são os seguintes: Insuficiência da quantidade de água do arroio Velhaco para a irrigação do arroz em Cerro Grande do Sul, Sentinela do Sul e Arambaré; Impedimento do aumento da produção do arroz em Camaquã por falta de água (a barragem do Arroio Duro e o Rio Camaquã são utilizados, mas estuda-se a ideia do uso da água da Laguna dos Patos para a irrigação das lavouras desse município); Planejamento da transposição das águas do Arroio Sutil para o Arroio Duro, em Dom Feliciano, a fim de aumentar a área irrigada, que hoje não é mais suficiente no município.
O uso da água no Rio Camaquã caracteriza-se da seguinte forma:
* 96,3%: irrigação
* 2,3%: animais
* 1,3%: consumo humano
* 0,1%: indústrias

7.5 COMITÊ DE GERENCIAMENTO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CAMAQUÃ

Criado pelo Decreto Estadual Nº 39.638, com base na Lei Estadual 10.350/94, foi instalado em 13 de abril de 2000. É um órgão que congrega os usuários de água, os representantes da população da bacia e do Governo Estadual, com os objetivos fundamentais de tratar e decidir sobre assuntos relacionados à preservação da qualidade e quantidade dos recursos hídricos da região da Bacia do Rio Camaquã.
Informações pelo endereço: Rodovia BR-116, 400, Camaquã/RS. CEP 96180-000. Telefone: (51) 3692 1334.

8 CURIOSIDADES

* O município de Santana da Boa Vista apresenta uma rocha estimada em mais de 2,3 bilhões de anos, considerada uma das mais antigas do Estado;
* Em 2007, estavam cadastrados 689 produtores de arroz na Bacia; as áreas de plantio correspondem a quase 1.672 km² (cerca de 3,5 vezes a superfície de Porto Alegre).
* O Rio Camaquã desempenhou um papel decisivo na Revolução Farroupilha, com a localização, às suas margens, das estâncias da família de Bento Gonçalves e do estaleiro [13] comandado por Giuseppe Garibaldi
* Entre 1885 e 1893, o Delta do Camaquã foi bastante estudado através das expedições do naturalista alemão Von Hering, um dos pioneiros no estudo da flora e fauna gaúcha. Seu legado é bastante estudado pela comunidade científica internacional até hoje. Uma ilha do delta do Camaquã foi batizada em sua homenagem: a Ilha do Doutor.

9 CONCLUSÃO

É importante a preservação deste importante sistema hídrico (assim como todos os sistemas e bacias hidrográficas), pois o elemento água é totalmente indispensável para o ser humano e para todas as formas de vida em nosso planeta.
Para isso, precisamos ter conhecimento dos cursos d'água que nos circundam e colaborar para a manutenção da integridade das águas e da biodiversidade do local em que vivemos. Precisamos apenas tomar consciência e zelarmos pela preservação da natureza, visando a manutenção, para as nossas futuras gerações, das belezas da biodiversidade, da natureza e da água, a fonte essencial da vida.GLOSSÁRIO
[1] Volume de algumas substância (fluido) que escoa através de uma posição transversal de um conduto por uma determinada unidade de tempo.[2] Escoamento de águas de um certo terreno, com bastante umidade, por meio de valas, via subterrânea através do solo, por canos, ou outros meios.
[3] Tipo de drenagem onde ás aguas correm em direção ao mar.
[4] Denominação dada aos pequenos rios no Sul do Brasil (correspondem aos igarapés da Amazônia)
[5] Os três tipos fundamentais de rochas são: Ígneas ou Magmáticas (originadas do interior da Terra e de atividades vulcânicas); Sedimentares (originadas por depósitos de rochas, vindos de pontos mais elevados e acumulados em regiões mais baixas); e metamórficas (transformações entre tipos diferentes de rochas ígneas e sedimentares.
[6] Depósitos de materiais (como areia, cascalho, argila e outros) que se depositam nos rios ou dão origem a rochas sedimentares, faixas de areia ou, até mesmo, foz (jusantes) dos rios em forma de deltas (com ilhas). Os materiais são originados de pontos elevados, que descem ao longo do leito dos rio, até às partes mais baixas.
[7] Caminho tortuoso de um curso d'água (geralmente em forma de curvas).
[8] Foz (local onde o rio desemboca) de um rio caracterizada por ilhas.
[9] Mata, plantas e vegetação localizadas às margens de rios, arroios e cursos d'água.
[10] Substâncias vindas do intestino grosso dos animais que, com a excreção, transformam-se em dejetos, que devem ser tratados pelos sistemas de saneamento.
[11] ml = mililitros: unidade de medida de capacidade, utilizada para medir a quantidade de bebidas e líquidos em recipientes, por exemplo.
[12] A multiplicação de algo, por quatro vezes mais.
[13] Estabelecimento instalado à beira do mar ou de um rio com instalações apropriadas para a construção e instalação de navios e embarcações.

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